Conjunto do Carmo

Datado do século XVII, o Conjunto do Carmo é um legado da Ordem Carmelitana e consiste na Igreja da Ordem Primeira do Carmo, erguida por membros do clero, Igreja da Ordem Terceira do Carmo, construída por católicos proprietários de terras e engenhos, ricamente decorada e com a nave banhada a ouro, e o Convento do Carmo, que abrigava os membros da igreja. As construções possuem elementos artísticos do barroco e do rococó, assim como as igrejas construídas no mesmo período em todo o Brasil. Ao lado da capela da Ordem Terceira há um pequeno cemitério onde eram sepultados os seus membros.

Nas igrejas continuam acontecendo os ritos religiosos e estão abertas a visitação de segunda a sexta-feira.

Histórico:

A Ordem dos Carmelitas chegou ao Brasil em 1580 junto com expedições colonizadoras e catequizadoras. Desde então, foram construídas diversas obras na então América Portuguesa, notadamente em Olinda (PE), onde foi erguida a primeira Igreja do Carmo em solo brasileiro.

Em Cachoeira, em algumas crônicas é possível encontrar relatos de que no final dos anos 1600 havia seis religiosos carmelitas atuantes entre a população cachoeirana e na evangelização dos índios, atividade que os faziam percorrer longas distâncias para levar a doutrina cristã aos nativos. Depois de um tempo, resolveram fundar um aldeamento com hospício que batizaram de Capoeiruçu, hoje uma das comunidades mais populosas do município.

Um fato interessante sobre a rotina e o lento passar do tempo na Aldeia do Paraguaçu nas últimas décadas do século XVII, onde as únicas novidades eram os ataques de nativos que não se conformavam com a invasão de seu território, as manifestações e festividades religiosas tinham elevada importância entre os colonizadores. A religiosidade ocupava um papel central na sociedade da época. É nesse contexto que surgem as Ordens Terceiras, a partir de um desejo de associação por interesses comuns. Essas Ordens assumiram uma função assistencial e previdenciária para os membros, que podiam pedir empréstimos e ter um sepultamento solene, com celebração de missas em sufrágio da alma dos irmãos. As lápides tumulares ainda se encontram no interior da igreja, e constituem um acervo de grande importância histórica e cultural.

A Venerável Ordem Terceira do Carmo de Cachoeira foi fundada em 1691. Inicialmente, os Terceiros do Carmo utilizaram uma capelas do convento, até que em 1700 o capitão João Rodrigues Adorno e sua mulher Úrsula de Azevedo doaram terras para a construção da igreja. As obras foram concluídas somente em 1778.

E até hoje, o Conjunto do Carmo, com as Igrejas da Ordem Primeira e Terceira e o convento, que hoje funciona como pousada, é um dos principais pontos visitados por turistas de todo o mundo. O interior da Igreja da Ordem Terceira, banhado a ouro, desperta a mesma admiração de séculos anteriores. Diversos pesquisadores já escreveram sobre a riqueza arquitetônica das duas igrejas. Robert C. Smith diz que “as fachadas das duas igrejas mostram bem um contraste entre o estilo barroco do início do século XVIII e o posterior rococó.” Já para Germain Bazin, “é o mais belo conjunto de talha existente no estado da Bahia, depois do que podemos ver no Convento Franciscano de Salvador, decora a capela da Ordem Terceira do Carmo”.

As atividades religiosas seguem acontecendo regularmente, com missas às quartas e sextas-feiras e aos domingos, além de datas especiais. Para além das celebrações religiosas, o interior e claustro das igrejas sediam um dos principais eventos da cidade, a Festa Literária Internacional de Cachoeira (FLICA).

O Conjunto do Carmo fica localizado na Praça da Aclamação. A taxa de visitação custa R$5,00 (inteira).

Referências:

LIMA, Jomar. Ars Moriendi: A representação da finitude da vida nas lápides tumulares da Ordem Terceira do Carmo de Cachoeira-BA. Cachoeira, BA:P55, 1ª edição, 2019.

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