Zogbodo Male Bogun Seja Unde (Roça do Ventura)

Tombado em 2015 como Patrimônio Cultural e Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o terreiro Zogbodo Male Bogun Seja Unde, mais conhecido como Roça do Ventura,  da nação Jeje-Mahi é uma das casas de axé mais antigas do Recôncavo Baiano e até hoje exerce grande influência nas expressões sagradas de matriz africana de todo o país.

Histórico:

 

Em 1765, africanos vindos do antigo reino do Daomé fundaram um terreiro ao qual deram o nome de Kpó Zehen (Roça de Cima). Mais de 100 anos depois, em 1885, a africana Ludovina Pessoa fundou o terreiro Zogbodo Male Bogun Seja Unde para a sua filha Maria Ogorensi Ahunsi Misimí. O local passou a ser conhecido como Roça de Baixo. Após a morte de Ludovina Pessoa, a Roça de Cima e a Roça de Baixo passaram a compor o mesmo terreiro, a Roça do Ventura, e mantiveram a idade ancestral do primeiro terreiro e as atividades litúrgicas.

 

O povo da nação Jeje, desde que se estabeleceu na região, exerceu uma forte influência na formação cultural de Cachoeira, além de ser responsável pelo fortalecimento das tradições de matriz africana no Recôncavo Baiano. Na mesma época da fundação da Roça do Ventura, foi criada a primeira Irmandade de Africanos de Cachoeira a Irmandade do Senhor dos Martyrios, na Igreja da Ordem 1ª do Carmo. Seus membros também integravam a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário do Monte Formoso, responsáveis pela construção da Igreja do Rosarinho e do Cemitério dos Nagôs, onde estão sepultados os restos mortais dos líderes religiosos da Roça do Ventura: Ludovina Pessoa,  Antônio Maria de Belchior ( Salakó ) e seu irmão José Maria Belchior ( Zé de Brechó)

 

As primeiras movimentações para o tombamento do terreiro Zogbodo Male Bogun Seja Unde foram feitas em dezembro de 2008 por Alaíde Augusta da Conceição, Vodunce Alaíde de Oyá. Em 2015, após um período de estudos e análises, foi finalmente tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como Patrimônio Cultural e Imaterial do Brasil. Atualmente, está registrado na UNESCO como Rota da Liberdade, e em 2018 foi reconhecido como Consulado Honorário Cultural do Benin, símbolo de reconhecimento da Embaixada do Benin como primeiro território religioso dos africanos ancestrais que vieram do Daomé, como o país era denominado antigamente.

 

 

Referências:

 

http://www2.cultura.ba.gov.br/2014/12/05/aprovado-tombamento-de-terreiro-roca-do-ventura-de-cachoeira-ba/

 

https://agenciabrasil.ebc.com.br/es/node/939509

 

Arquivo textual de Antônio Leonardo Marques

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