Santa Casa de Misericórdia de Cachoeira

Situada nas proximidades da Praça Dr. Aristides Milton, a Santa Casa de Misericórdia de Cachoeira foi a única instituída por D. Pedro I e pode ser considerada um marco no modelo de proteção e assistência social. Foi, durante muito tempo, local de acolhimento referência em todo o Recôncavo Baiano. Atualmente, ainda funciona em modelo de irmandade, prestando diversos serviços de natureza hospitalar e mantém celebrações religiosas na igreja.

Histórico:

 

Até 1726, os atendimentos assistenciais e hospitalares aconteciam no Hospital Nossa Senhora de Belém, construído nas dependências do Convento de Santo Antônio do Paraguaçu, na atual comunidade de São Francisco do Paraguaçu, na Bacia e Vale do Iguape. Então, quando o capitão Antônio Machado Velho assumiu a direção do hospital, determinou a demolição do edifício no convento e a transferência dos móveis e medicamentos, além de pedras, tijolos e madeira para a sede da Vila de Cachoeira, onde outro hospital e capela estavam sendo construídos em um terreno doado pelo capitão João Rodrigues Adorno e sua esposa Úrsula de Azevedo. A mudança, é claro, não agradou aos franciscanos.

 

Segundo João Batista de Cerqueira, cerca de 20 anos depois, Antônio Machado Velho doou o hospital para a Ordem de São João de Deus, da qual fez parte. Durante muitos anos, foi o principal bem-feitor da instituição. Além da construção do prédio principal, mandou erguer outras nove casas de adobe, que eram alugadas e davam rendimentos para a manutenção do hospital. Desde então o Hospital São João de Deus seguiu prestando atendimentos à população e era mantido regularmente com donativos de membros da elite local.

 

O hospital continuou sob a administração da Ordem São João de Deus até 1770, quando a coroa portuguesa determinou o afastamento dos hospitaleiros após denúncias de má administração. A partir de então, passou a ser administrado pelo senado da Câmara e tinha seus dirigentes nomeados pelo juiz de fora.

 

Em 18 de abril de 1826, D. Pedro I fez uma visita à Vila de Cachoeira, acompanhado de uma comitiva. Na oportunidade, realizou uma audiência com lideranças cachoeiranas, que fizeram pedidos ao monarca. Entre eles: a elevação de Cachoeira à categoria de cidade, visto o seu papel pioneiro nas lutas pela independência do Brasil e a autorização para o funcionamento de uma Santa Casa de Misericórdia. D. Pedro I então, através do decreto imperial n. 64 instituiu a Santa Casa de Cachoeira, a única instituída pelo monarca no Brasil e a primeira das irmandades caritativas em solo brasileiro.

 

Em 30 de agosto do mesmo ano, a irmandade assumiu a administração do Hospital São João de Deus e da capela contígua dedicada à Santa Bárbara. A partir daí, já como Santa Casa de Misericórdia, tornou-se o principal espaço assistencial de Cachoeira, prestando serviços de tratamento de doentes, sepultamento de irmãos em cemitério próprio, assistência a presos pobres, menores em situação vulnerável, pensões e esmolas para os necessitados e até dotes para o casamento de moças, de acordo com a pesquisa de João Batista Cerqueira.

 

A irmandade ainda é responsável pela administração do hospital. Os membros elegem a mesa-diretora, responsável pela gestão e manutenção do espaço e das finanças.

 

 

Referências:

 

CERQUEIRA, João Batista. Caridade, política e saúde: o Hospital São João de Deus e a Santa Casa de Misericórdia de Cachoeira, Bahia (1756 a 1872). Tese (Doutorado em Ensino, Filosofia e História das Ciências) – Universidade Federal da Bahia e Universidade Estadual de Feira de Santana, 279 f. Salvador, 2015.

 

 Leia também: https://ppgefhc.ufba.br/sites/ppgefhc.ufba.br/files/tese_final_joao_b._de_cerqueira_07.11.2015.pdf

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