Casa dos Patriotas

Casa nº 23. À primeira vista, é mais uma casa na Praça Dr. Milton, espremida entre as vizinhas. Mas, quem chega perto consegue ler a inscrição de uma placa com os seguintes dizeres: Aqui se reuniram em 25-6-1822 os patriotas cachoeiranos para as primeiras cogitações da Revolução Nacional: Cem anos depois, o Instituto Geográphico e Histórico da Bahia rende-lhes os preitos de uma recordação imorredoura.

Pois, foi justamente naquela casa que senhores de engenhos, membros de congregações e irmandades reuniam-se até então em segredo para definir as primeiras articulações para as lutas pela Independência do Brasil. Boa parte deles tinha deixado Salvador, dominada pelos portugueses.

 

No dia 25 de junho de 1822, após uma das reuniões, os participantes dirigiram-se até a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, onde uma multidão os aguardava para a celebração do “Te Déum”, uma missa de ação de graças. Após a missa, o destino seguinte foi a Câmara de Vereadores, onde, após uma sessão extraordinária, D. Pedro I foi aclamado Príncipe Regente e Defensor Perpétuo do Brasil. O ato causou a ira dos portugueses, que mobilizaram tropas para atacar a cidade.

 

A população, que de longe não estava tão bem armada quanto os portugueses, pegou lanças, enxadas, bastões, facas, e o que mais encontraram para se defender. Os lusitanos atacaram com canhões e conseguiram matar o comandante das tropas cachoeiranas, o soldado Manoel Soledade, conhecido como Tambor Soledade. Mas, ao que parece, os cachoeiranos contaram com um aliado inesperado: o Rio Paraguaçu. Devido à maré vazante, os lusitanos não conseguiram ter muito êxito com as canhoneiras, seu principal armamento.

 

As batalhas duraram cerca de três dias, quando os cachoeiranos conseguiram dominar a embarcação do General Madeira de Melo. A notícia correu os quatro cantos, e logo começaram a chegar voluntários para o exército que expulsaria os portugueses. Entre eles, a notável Maria Quitéria, que vestida de homem, combateu bravamente e tornou-se uma heroína nacional. Esse exército de voluntários marchou em seguida para Salvador, para mais episódios de lutas. A guerra chegou ao fim somente em 2 de Julho de 1823, quando a Bahia e todo o território nacional ficou finalmente livre do jugo português.  

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