Cine Theatro Cachoeirano

Inaugurado em 1923 pelo empresário, médico e político Cândido Elpídio Vaccarezza, o Cine Theatro Cachoeirano foi durante muitos anos um dos espaços de entretenimento e efervescência cultural. Depois de quase 20 anos desativado, o prédio foi reinaugurado em 2014, após passar por uma reforma feita pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), órgão também responsável pelo seu tombamento em 30 de novembro de 1937. O Instituto firmou uma parceria com a Prefeitura Municipal e o equipamento foi devolvido à comunidade para a exibição de filmes, peças de teatro, shows e diversas outras modalidades de eventos.

Histórico:

Apesar de ser reconhecido, o Cine Theatro não foi a primeira experiência cinematográfica da cidade. Segundo a historiadora Rosana Andrade, a primeira exibição de filmes aconteceu em 1899, na ocasião da passagem do Cinema Edson, itinerante. Após esse episódio, que despertou profundo interesse da sociedade cachoeirana, foi instalada a primeira casa de cinema em 1919, a Cine Elegante. Além da exibição de filmes, o cinema também sediava festivais com a participação de personalidades artísticas e intelectuais da cidade. Mas, apesar de ter uma grande influência no cotidiano local, acabou encerrando suas atividades naquele mesmo ano.

Em 1923, o empresário de descendência italiana Cândido Elpídio Vaccarezza fundou o Cine Theatro Cachoeirano. O espaço, assim como o Cine Elegante, era versátil, contando com a exibição de filmes, promoção de eventos lúdicos, civis e religiosos. Em pouco tempo, tornou-se um dos principais centros de lazer e entretenimento de Cachoeira. Porém, inicialmente, as atividades eram destinadas às pessoas abastadas e que possuíam um nível intelectual elevado, excluindo assim uma camada considerável da população.

Na década de 1950 o empreendimento foi arrendado pela companhia de cinema Cine Glória, dona de vários outros cinemas na capital e cidades do interior baiano. Frederico Maron, dono da companhia, realizou uma série de melhorias no espaço, que foi reinaugurado em 1952, já com o nome de Cine Teatro Glória. Foi a partir desse período que o cinema viveu uma fase de popularização, sendo frequentado também pelas camadas mais pobres da sociedade, fato que dividiu opiniões: as classes ricas apontavam a decadência, enquanto outros exaltavam a democratização do espaço.

No fim da década de 1960, o cinema passou para as mãos de Osmundo Araújo, que era gerente do local, e foi rebatizado como Cine Real. A partir de então, o empreendimento passou por uma fase de instabilidade, passando a ter vários diretores em um curto espaço de tempo, tendo suas atividades interrompidas e retomadas diversas vezes. Até que encerrou suas atividades em 1993.

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