Terreiro Loba’Nekun Filho

O Terreiro Loba’Nekun Filho foi fundado em 1925 pela Ialorixá Amazilia Matias da Conceição, conhecida como Mãe Lira. A sacerdotisa foi iniciada para o orixá Iemanjá Ogunté aos 17 anos por Miguel Pequeno da Terra Vermelha, no Terreiro Loba’Nekun. Daí a origem do nome. Após o seu falecimento, a casa passou para o comando de Zuleide da Paixão Lima, conhecida por todos como Mãe Ledinha de Oiá.

O Loba’Nekun Filho fica localizado nas proximidades da Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Monte, no perímetro urbano. O espaço onde funciona foi um presente dado por um de seus membros, como forma de agradecimento por uma graça alcançada. Como Mãe Lira e seus familiares moravam naquela região, o imóvel doado acabou sendo uma casa vizinha.

 

O Terreiro pertence à nação Nagô Tedô, o Nagô puro, na qual os iniciados não têm a cabeça raspada. Com o tempo, tornou-se um dos mais influentes na cultura cachoeirana. De junho a agosto celebra os orixás Ogum, Obaluaê, Xangô, Oxóssi, Iemanjá e o presente às águas, e ao Caboclo Juremeira. Mas, para além do calendário religioso, o Loba’Nekun Filho tem um papel muito importante durante os festejos cívicos do mês de junho em Cachoeira, quando são comemorados o pioneirismo e bravura do seu povo nas lutas pela independência da Bahia e do Brasil. Logo no dia 1º acontece a “Levada dos Paus da Bandeira”, em que mastros ornados com folhas e com a bandeira do Brasil no topo são levados pelas principais ruas da cidade e fincados na praça do bairro do Caquende e no final da Rua da Feira, a Ponta da Calçada, marcando assim os limites do território que se declarava independente sob a regência de Dom Pedro I. Autoridades políticas e a sociedade civil participam do ato, que termina no Terreiro Loba’Nekun, onde acontecem as celebrações religiosas.

 

Junto com outros nove terreiros de Cachoeira e São Félix, o Loba’Nekun Filho foi registrado como Patrimônio Imaterial do Estado, conforme a lei 8.895 de 2003 e do Decreto10.039 de 2006, que garantem a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial.

 

Referência:

 

Terreiros de Candomblé de Cachoeira e São Félix (Coleção Cadernos do IPAC)

Leia também: http://www.ipac.ba.gov.br/publicacoes-para-download/cadernos

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