Terreiro Humpame Ayono Huntoloji

O Terreiro Humapame Ayono Huntoloji, da nação Jeje Mahi, foi fundado em Salvador, em 1952 no bairro do Lobato, por Luiza Franquelina da Rocha, Gaiaku Luiza. 11 anos depois, após comprar um sítio da Indústria Tororó, o terreiro foi transferido para o bairro do Caquende, em Cachoeira.

Histórico:

 

As histórias do Humpame Ayono Huntoloji e de Gaiaku Luiza se misturam. Começam em 1937 com a iniciação de Luiza Franquelina para o vodum Oiá no Terreiro Ilê Ibecê AlaKetu, do Babalorixá Manoel Cerqueira de Amorim, conhecido como Nezinho, nos Portões de Muritiba. Em 1943, com a saúde bastante debilitada, foi aconselhada a passar por outra iniciação, dessa vez no terreiro Zoogodô Bogum Malê Hundó, o primeiro de nação Jeje Mahi, fundando em meados do século XIX, no Engenho Velho da Federação, em Salvador. A responsável pela iniciação foi a Gaiaku Maria Romana Moreira.

 

 

Luiza Franquelina recebeu o cargo de Gaiaku entregue por Gaiaku Romaninha em 2 de fevereiro de 1945 em uma cerimônia realizada em sua residência na Travessa do Ouro, Beco do Sabão, casa 31, bairro da Liberdade, em Salvador. Na época em que Gaiaku Luiza fundou o Humpame, em 1952, não era comum a prática do Candomblé Jeje Mahi. Estudos apontam que, na época, havia apenas três: Zoogodô Bogum Malê Hundó, onde foi iniciada pela segunda vez, a Roça do Ventura (em Cachoeira) e o Humpame.  Quase vinte anos depois de ter recebido o cargo, em 1963, Gaiaku Luiza comprou um sítio que pertencia à Indústria Tororó localizado no bairro do Caquende e mudou-se para Cachoeira. Na nova sede continuou seguindo o calendário de obrigações e festividades.

 

Gaiaku Luiza seguiu à frente do terreiro, transmitindo sua imensa sabedoria aos filhos e filhas de santo. Foi uma das sacerdotisas mais respeitadas do culto afro-brasileiro Jeje Mahi. Faleceu em 20 de junho de 2005, aos 96 anos, na sua roça, cercada por familiares, amigos e filhos de santo.

 

Após o seu falecimento, sua sobrinha Regina Maria da Rocha assumiu a direção do terreiro, que ainda segue os ensinamentos da fundadora. As celebrações, como o Zandró e o Boitá, acontecem sempre no mês de janeiro. Uma característica que diferencia o candomblé Jeje Mahi das outras nações é o costume de celebrar todas as suas divindades de forma conjunta.

 

Junto com outros nove terreiros de Cachoeira e São Félix, o Humpame Ayono Huntoloji foi registrado como Patrimônio Imaterial do Estado, conforme a lei 8.895 de 2003 e do Decreto10.039 de 2006, que garantem a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial.

 

Referência:

 

Terreiros de Candomblé de Cachoeira e São Félix (Coleção Cadernos do IPAC)

Leia também: http://www.ipac.ba.gov.br/publicacoes-para-download/cadernos

 

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