Capela de Nossa Senhora d’Ajuda

Uma das primeiras construções da Vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira, a Capela de Nossa Senhora d’Ajuda está localizada no Centro Histórico, no Largo d’Ajuda, num dos cumes da cidade. Para chegar até ela, existem três vias de acesso. No mês de novembro, a capela ocupa o lugar central na Festa de Nossa Senhora d’Ajuda, um dos festejos mais populares da Bahia e registrado em 2017 como Patrimônio Imaterial pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC). A programação dura quase um mês e conta com missas, procissão, lavagem e embalos com charangas e foliões fantasiados.

Histórico:

 

A capela foi erguida entre os anos de 1595 e 1606, ainda nos primeiros anos da ocupação portuguesa, pelo capitão Álvaro Celestino Adorno. Consagrada à Nossa Senhora do Rosário, foi reedificada em 1673 por ordens do bisneto de Álvaro, João Rodrigues Adorno. No ano seguinte, foi elevada à matriz. Porém, logo após a construção da atual Igreja Matriz, localizada na Rua Ana Néry, a capela foi entregue à confraria de São Pedro dos Clérigos. Porém, quando a confraria foi extinta, a ermida foi relegada ao abandono. Só voltou a sediar atividades religiosas em 1872, quando músicos cachoeiranos fundaram a Irmandade de Nossa Senhora d’Ajuda. Segundo o historiador Cacau Nascimento, datam deste ano as primeiras documentações sobre as manifestações populares em torno da capela, onde começaram a se instituir comissões de organização de missa, procissão, festa, arrecadação de fundos, etc. 

 

Inicialmente, cada dia festivo, cada missa, era dedicado a um grupo social diferente. Logo após a celebração religiosa, os membros saíam desfilando pela cidade em forma de ternos, seguidos por uma fanfarra.

 

A principal característica da Festa d’Ajuda até os dias de hoje é a sua massiva participação popular. Durante os dias dos ternos e embalos, as ruas que fazem parte do roteiro ficam lotadas. Mas, todo esse envolvimento aconteceu de forma inusitada. A capela era lavada por escravos e ex-escravos, que saíam às ruas de madrugada com latões para buscar água nos riachos Caquende e Pitanga. Durante o percurso, iam batucando e entoando cantigas, para acordar os companheiros. Eram eles também que ia buscar lenha para fogueiras usadas para iluminar as ruas durante os festejos, já que naquela época ainda não havia iluminação pública. De início, essas manifestações tinham que ser feitas sempre à noite, pois qualquer atividade abolicionista ou realizada por negros era proibida pela Lei Bélle Époque, instituída em 1905. Quando a lei foi revogada, em 1930, comerciantes cachoeiranos buscaram incentivar os chamados “levadores”.

 

A Capela de Nossa Senhora d’Ajuda foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 15 de setembro de 1939, antes do tombamento completo da cidade. A construção atual apresenta muitas diferenças em relação à sua primeira versão, especialmente na fachada e pela varanda, que não existia na original.

 

 

Referências:

 

http://portal.iphan.gov.br/noticias/detalhes/3205/capela-de-nossa-senhora-da-ajuda-em-cachoeira-ba-e-reaberta-apos-restauracao

 

https://www3.ufrb.edu.br/reverso/origem-da-festa-dajuda-possui-marcas-historicas-do-seculo-xix/

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