Casa de Ana Nery

Uma das grandes heroínas da História do Brasil e a primeira enfermeira do país, Ana Justina Ferreira Nery nasceu na então Vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira, em 13 de dezembro de 1814. O sobrado fica situado na Rua que hoje leva o nome da sua ilustre moradora, ao lado da Igreja Matriz, no Centro Histórico. Atualmente, funciona como sede do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na parte superior, e Centro de Especialidades Odontológicas no térreo. Foi restaurado em 2003.

Histórico:

 

Ana Nery nasceu em uma família de “patriotas legítimos”. Seu pai e seus quatro irmãos desempenharam cargos importantes na administração pública e posições de destaque em batalhões, como o Voluntários da Pátria. Casou-se aos 23 anos com o capitão-tenente da Marinha Isidoro Antônio Nery, com quem teve três filhos. Em 5 de julho de 1844, Isidoro Nery faleceu, aos 43 anos, e Ana Nery passou a desempenhar a função de chefe de família, responsável pelas atividades do lar e da educação dos filhos.

 

Algum tempo depois, mudou-se com os filhos para Salvador, onde eles puderam dar continuidade aos estudos em escolas secundárias e buscar uma ascensão social. Durante esse período viveu em anonimato, só passando a ser conhecida quando estourou a Guerra do Paraguai. Na época, os filhos já haviam ingressado no ensino superior e no serviço militar. Justiniano de Castro Rebêllo e Isidoro Antônio Nery dedicaram-se à medicina, enquanto que o filho mais novo, Pedro Antônio Nery, dedicou-se à carreira militar, era cadete aluno da Escola Militar do Rio de Janeiro.

 

Logo que os filhos partiram para a guerra, em 1865, Ana Nery, então com 51 anos, enviou uma carta ao Presidente da Província da Bahia, Manuel Pinto de Souza Dantas, oferecendo-se para cuidar dos feridos nas batalhas. Em parte por patriotismo e em parte para ter a oportunidade de ficar mais perto dos filhos. Em 13 de agosto de 1865, cinco dias depois de ter remetido a carta, Ana Nery partia para o Rio Grande do Sul, um dos palcos da guerra. Lá, tomou lições de enfermagem com as Irmãs da Caridade de São Vicente de São Paulo. Durante sua estada, ajudou a aliviar as dores de muitos feridos, salvando muitas vidas. Infelizmente, não conseguiu salvar o seu filho mais velho, Justiniano de Castro Rebêllo.

 

Depois da guerra, chegou ao Rio de Janeiro em 6 de maio de 1870, onde foi recebida com muitas homenagens. De acordo com a pesquisadora Maria Manuela Cardoso, “O Governo Imperial concedeu-lhe ainda, pelo decreto datado de 18 de maio de 1870, a Medalha de 21ª classe, a Medalha de Campanha, com passador de ouro nº515 e uma pensão anual de um conto e duzentos mil reis”.

 

Ana Nery retornou à sua terra natal em junho do mesmo ano, onde mais homenagens a aguardavam. Senhoras de ilustres famílias baianas a presentearam com uma coroa de louros cravejada de brilhantes. Depois de alguns anos, a heroína voltou para o Rio de Janeiro, onde passou os últimos anos da sua vida. Adoeceu gravemente em 1880 e faleceu no dia 20 de maio do mesmo ano, aos 65 anos de idade.

 

A cachoeirana é um exemplo de abnegação e amor no cuidado com o próximo, um dos principais pilares que sustentam a Enfermagem. Em 10 de agosto de 1938 o então presidente Getúlio Vargas assinou o decreto nº 2.956, que instituía 12 de maio como o Dia do Enfermeiro. Nessa data devem ser prestadas homenagens especiais à memória de Ana Nery em todos os hospitais e escolas de enfermagem do país.

 

Referência:

 

CARDOSO, Maria; MIRANDA, Cristina. Anna Justina Ferreira Nery: um marco na história da enfermagem brasileira. R. Bras. Enferm., Brasília, v.52, n.3, p. 339-348, jul/set 1999.

Leia também: https://www.scielo.br/pdf/reben/v52n3/v52n3a03.pdf

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