Terreiro Loba’Nekun

Localizado na Terra Vermelha, nas imediações do bairro do Caquende, o Terreiro Loba’Nekun, de nações Nagô e Congo, foi fundado em 1914 por Miguel Ângelo Barreto e Maria da Natividade. Sua primeira construção era de taipa e de telhado de palha, erguida com a ajuda dos Ogans e filhos da casa. Em 1954 foi reinaugurada e segue funcionando ainda hoje.

Seu fundador, preocupado com a perseguição feita ao candomblé na época, escreveu uma carta ao então presidente Getúlio Vargas, pedindo para abrir uma associação que pudesse resguardar os candomblecistas e a liberdade de culto. Assim, conseguiu criar a Sociedade Beneficente e Recreativa União São Pedro, reconhecida em cartório. Foi um passo muito importante na luta pelo respeito à liberdade religiosa.

 

A “Casa de Oração, Caridade e Rezas”, que é o significado do nome “Loba’Nekun”, segue mantendo as tradições e o ciclo litúrgico da casa. Cada pedra e cada árvore ainda estão no mesmo lugar. Nas paredes do terreiro é possível encontrar quadros e imagens de diversas figuras egípcias, calendários planetários, imagens de caboclos e santos católicos, denotando um forte sincretismo religioso.

 

Apesar de manterem as tradições dos fundadores e ancestrais, o calendário festivo teve que passar por algumas mudanças. Em uma entrevista feita em abril de 2012, a Ialorixá Maria Lúcia, neta dos fundadores do terreiro, contou que no tempo do avô, as festas começavam em dezembro e iam até fevereiro; em seguida, de junho a julho, e novamente em agosto, festa de Obaluaê. Mas, desde que ele morreu e ela assumiu como zeladora da casa, as festas acontecem no mês de junho,  para Ogum e Xangô Rei do Congo de Jombala. “Tem uma missa todo ano para São Pedro. Na festa de Exu, a gente bate palma, ali come, os homens que cozinham, as mulheres lá só faz o caruru, samba, bebe, depois acabou a festa, despacha”, concluiu em entrevista para o IPAC.

 

Junto com outros nove terreiros de Cachoeira e São Félix, o Loba’Nekun foi registrado como Patrimônio Imaterial do Estado, conforme a lei 8.895 de 2003 e do Decreto10.039 de 2006, que garantem a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial.

 

Referência:

 

Terreiros de Candomblé de Cachoeira e São Félix (Coleção Cadernos do IPAC)

Leia também: http://www.ipac.ba.gov.br/publicacoes-para-download/cadernos

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