Engenho e Casarão da Vitória

Localizado à margem esquerda do Rio Paraguaçu, distante 6 km do centro de Cachoeira, o Engenho da Vitória resistiu ao tempo durante pouco mais de três séculos. Boa parte da sua estrutura hoje se encontra em ruínas, mas ainda há quem se arrisque a conhecer o seu interior. De lá, pode-se ter uma bela vista do rio, tendo o silêncio como trilha sonora. O local é ponto de chegada de trilhas, cenário de ensaios fotográficos e é capaz de contar uma longa história.

Histórico:

 

O Engenho da Vitória foi fundado em 1812 pelo comendador Pedro Rodrigues Bandeira, e na época foi considerado um empreendimento arrojado. O fundador contou com o trabalho de 800 operários que impulsionaram o cultivo da cana-de-açúcar na região. De acordo com o historiador e antropólogo cachoeirano Luiz Cláudio Nascimento, “o engenho inclui-se entre os mais importantes engenhos de açúcar brasileiro do Brasil Império destacando-se pela sua produtividade e diversificação industrial, funcionando, ininterruptamente, de 1812 até 1950”.

 

O feito rendeu a Pedro Rodrigues um reconhecimento do Imperador Pedro I e chegou a desempenhar importantes funções públicas, entre elas diretor da sucursal do Banco do Brasil na Bahia. Foi também um dos pioneiros na criação de estaleiros para o estabelecimento da navegação a vapor, junto com Felisberto Caldeira Brant Pontes e Manuel Bento de Souza Guimarães. A iniciativa representou o dinamismo e aprimoramento das relações econômicas entre a Vila de Cachoeira e Salvador.

 

As terras que integravam o Engenho da Vitória iam desde o espaço onde estava assentado, na Vila de Cachoeira, até o seu limite com o Vale do Iguape, na localidade conhecida como Guaíba. Essa delimitação persiste até os dias atuais. A maior parte da sua população era composta por africanos escravizados, a principal força de trabalho. Segundo Luiz Claudio Nascimento havia por lá 217 escravos, sendo 32 africanos e 185 nascidos no Brasil. “Dez anos depois, em 1835, ano que aconteceu a Revolta dos Malês em Salvador, o quadro era diferente. Dos 241 escravos que compunham o plantel do citado engenho, 163 eram africanos”.

 

O Engenho da Vitória ficava bem próximo a outros engenhos, e a população negra, formada por escravizados e trabalhadores livres (parcela bem menor), conseguiam formar redes de comunicação, o que possibilitava a organização de revoltas. Ainda segundo Luiz Claudio Nascimento, uma dessas rebeliões aconteceu na noite de 22 de março de 1827, quando escravizados mataram o feitor e seu irmão.

 

O maior engenho da região era muito populoso e contava com lojas, açougues e outros comércios. Além do açúcar fabricado, havia também um alambique que produzia a Cachaça do Engenho da Vitória, que ficou famosa pelos quatro cantos. Sua atividade, outrora intensa, encerrou-se em 1950, devido ao acúmulo de dívidas trabalhistas e com a fazenda pública. Hoje restam as ruínas e muita história.

 

 

Referências:

 

ROCHA, Rubens. Cachoeira: Joia do Recôncavo Baiano. Tucano, BA:Tibiriçá, 2015.

 

NASCIMENTO, Luiz Claudio. Aspectos Históricos do Engenho Nossa Senhora da Vitória. Leia em: https://borandar.files.wordpress.com/2017/03/engenho-vitoria.pdf

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