Ponte Dom Pedro II

Elo entre as cidades irmãs do Recôncavo Baiano, Cachoeira e São Félix, a Ponte Imperial D. Pedro II é um dos principais pontos turísticos do roteiro dos dois municípios. Já foi fotografada de diversos ângulos e serviu de cenário para filmes e novelas e é um dos mais belos cartões postais da região. A ponte tem 365 metros de extensão, uma via central para a passagem de veículos e duas vias do lado direito e esquerdo para a passagem de pedestres e bicicletas.

 

Quem para para observar seu movimento rotineiro e contínuo, que diminui o ritmo somente aos domingos, nem imagina o tempo que levou para ser finalmente inaugurada em 7 de julho de 1885.

Histórico:

 

A ideia de se construir uma ponte sobre o Rio Paraguaçu é antiga. Antes dela, pessoas e mercadorias tinham que ir de uma margem a outra de canoa, o que por vezes resultava em acidentes, afogamentos e perda das mercadorias quando as embarcações viravam.

 

A primeira proposição que se tem notícia data de 9 de março de 1754 no Senado da Câmara da então Vila de Nossa Senhora do Rosário. A proposta foi levada à praça pública onde foi assinada para a concretização. No entanto, o projeto não foi adiante.

 

Tempos depois, o Senado da Câmara aprovou uma lei que determinava a cobrança de 10 réis (moeda corrente na época) para a travessia do rio. O valor arrecadado seria convertido para a construção da ponte. Porém, uma provisão Régia proibiu a cobrança da taxa. Ainda assim, o Senado deu continuidade às obras de construção, que foram interrompidas por razões desconhecidas em 1810.

 

A partir daí, o Senado da Câmara resolveu apresentar argumentos que justificavam a necessidade da construção da ponte, e não eram poucos. Naquela época, A Vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira era um importante entreposto comercial entre os sertões e a Bahia (como era chamada Salvador na época). Mercadorias chegavam e partiam constantemente do porto e a vila estava sempre repleta de viajantes e comerciantes. A região também contava com muitos engenhos de cana-de-açúcar e plantações de tabaco, itens essenciais para a economia da época.

 

Em resposta à solicitação, o Regente D. João ordenou em 1818 a elaboração de um novo cais e continuação das obras da ponte, ainda de madeira. Seria cobrado um pedágio para todos que precisassem transitar por ela. Porém, devido aos movimentos resultantes em luta pela independência do Brasil em 1822, que tiveram seu início na então Vila da Cachoeira, a tão sonhada ponte teve que aguardar mais uns anos para ser construída.

 

A ponte definitiva só foi realizada cerca de 40 anos depois pela “Brazilian Imperial Central Railway Company Limited” através da Lei Provisória nº16/06/1865. Alguns historiadores apontam que a lei foi um presente de Dom Pedro II pelo reconhecimento pela bravura do povo cachoeirano. A pedra fundamental foi colocada com muita festa em 22 de dezembro de 1881. A obra foi conduzida pelo engenheiro Affonso Glycerio da Cunha Maciel. Algumas pesquisas historiográficas apontam que a estrutura de ferro e madeira foi trazida da Inglaterra, embora antes tenha sido projetada para o Rio Nilo no Egito, e foi considerada uma das principais obras de engenharia da América do Sul. A Imperial Ponte Dom Pedro II recebeu esse nome devido à presença do então Imperador no ato de inauguração. Por esse motivo também foram alçadas as Armas Imperiais sobre o feixo da ponte.

 

Até o século XIX era cobrado um pedágio de 60 réis por pessoa para a sua conservação. Hoje, tanto o tráfego de pedestres quanto de veículos é gratuito.

 

A Imperial Ponte está passando por uma reforma atualmente, após inúmeras solicitações da sociedade civil organizada. A previsão inicial para o término das obras seria o mês de dezembro de 2020.

 

 

Referência bibliográfica:

 

ROCHA, Rubens. Cachoeira: Joia do Recôncavo Baiano. Tucano, BA:Tibiriçá, 2015.

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